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Por volta de 546 antes de Cristo, Ciro, o Grande, rei dos persas, derrotou Creso, rei da Lídia, e tomou a capital Sardes. Toda a costa oeste da Anatólia (a península da atual Turquia) ficou sem dono, e Ciro mandou um general recolher as cidades.
O general era Harpago, um nobre medo (do povo vizinho e aliado dos persas) que tinha ajudado Ciro a tomar o trono. Ele dobrou as cidades gregas da Jônia, depois a Cária, e desceu para o sul até o vale do Xanthos.
O relato de Heródoto
Quem conta o que aconteceu ali é Heródoto, o historiador grego nascido em Halicarnasso, a uns 200 quilômetros da Lícia, no livro I das Histórias, escrito por volta de 430 antes de Cristo.
Segundo ele, os xântios saíram para a planície e enfrentaram o exército de Harpago, poucos contra muitos. Empurrados de volta para a cidade, fizeram uma escolha: “reuniram na acrópole as mulheres, os filhos, os bens e os escravos, e puseram fogo em toda a acrópole”. A acrópole era a parte alta e murada da cidade.
Depois, os homens voltaram ao campo e lutaram até não sobrar nenhum. Heródoto acrescenta um detalhe que responde de onde veio a Xanthos do tempo dele: os moradores da sua época descendiam de forasteiros, exceto oitenta famílias que estavam fora da cidade no dia do cerco e escaparam.
A Xanthos que Bruto cercou foi refundada por oitenta famílias que estavam longe no dia do primeiro fogo.
O cerco de Bruto
Cinco séculos depois, a Lícia era uma liga de cidades aliada de Roma. Em 42 antes de Cristo, Bruto pediu dinheiro e tropas, e as cidades lícias se negaram.
Apiano de Alexandria, nas Guerras Civis, escritas no século II depois de Cristo, descreve o assalto: os romanos encheram o fosso, atacaram com aríetes (troncos de ponta reforçada para bater em portões) e entraram por uma porta forçada no fim da tarde.
Os xântios recuaram para o centro, e a luta seguiu pela noite. Quando o vento espalhou as chamas das torres de cerco, os moradores atiçaram o incêndio em vez de combater o fogo.
Plutarco, nas Vidas Paralelas, escritas por volta de 100 depois de Cristo, conta que Bruto cavalgou em volta da muralha, chorando, e pediu aos soldados que salvassem quem pudessem. Ao fim, segundo o mesmo Plutarco, os romanos salvaram cerca de 150 pessoas, quase todas contra a vontade delas.
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