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Na encosta norte da Serra Nevada chove muito. Em Teyuna, a média passa de quatro metros de chuva por ano, quase toda concentrada entre abril e novembro. Terra solta, numa encosta assim, desce com a primeira tempestade.
Os taironas resolveram o problema antes de levantar qualquer casa. Cada terraço é uma caixa de pedra: um muro de arrimo feito de pedras de rio encaixadas sem argamassa, cheio por dentro de terra e cascalho compactados.
O muro segura a terra. O cascalho deixa a água passar. A plataforma fica seca em cima e drena por baixo.
As pedras vinham do próprio Buritaca e dos córregos vizinhos. Eram arredondadas pela correnteza, e os construtores escolhiam cada uma pelo formato, para travar na pedra de baixo. Sem cimento, o peso do muro inteiro trabalha a favor da estabilidade: quanto mais terra atrás, mais firme o encaixe.
O sistema dos terraços
Os 169 terraços de Teyuna não ficam soltos. Formam um conjunto escalonado ao longo do espigão, do mais largo, no eixo central, aos menores, nas pontas das cristas laterais.
Entre um terraço e outro correm canais de pedra. A água da chuva desce da plataforma de cima, entra no canal, passa pela escada e sai na encosta longe das fundações. Os construtores calcularam a queda de cada canal para a água correr sem cavar a terra.
Em Teyuna, a chuva tinha caminho próprio, separado do caminho das pessoas.
Casa redonda, base redonda
As plataformas residenciais são circulares. Tinham entre oito e quinze metros de diâmetro e uma borda de pedra lavrada, e cada uma recebia uma casa redonda de madeira, com teto cônico de palha.
Os arqueólogos do Instituto Colombiano de Antropologia e História (ICANH), responsável pelo sítio, mapearam os terraços nos anos 1970 e 1980. Concluíram que a cidade abrigou entre 1.500 e 2.000 pessoas no auge, entre os séculos XI e XVI.
As plataformas maiores, no eixo do espigão, ficavam vazias de casa. Eram praças para reuniões e cerimônias, com degraus de pedra em volta para quem assistia.
Depois de séculos sob a mata, a maior parte dos muros continuava no lugar quando os arqueólogos chegaram. Raízes tinham deslocado algumas pedras, mas os canais ainda levavam a água para fora das plataformas, e a limpeza da vegetação bastou para devolver o desenho da cidade.
O terraço não era só chão de casa. Era a peça básica de toda a cidade, repetida 169 vezes com o mesmo princípio: muro, cascalho, canal, escada.
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