In partnership with

Civilizações Perdidas   Civilizações Perdidas
ED 166
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores na votação de ontem.

Sigiriya, o palácio na rocha virou livro de visitas

No Sri Lanka, um rei ergueu a corte no topo de um bloco de granito, e quem subiu depois deixou centenas de versos no reboco

A rocha de Sigiriya acima da mata do Sri Lanka

Sigiriya, centro do Sri Lanka

▼

A LINHA DO TEMPO

477, Kashyapa I toma o trono → c. 480, obras no alto da rocha → 495, derrota diante de Moggallana e a corte volta a Anuradhapura → séculos VIII a X, visitantes riscam versos no muro espelhado → 1831, Jonathan Forbes sobe a trilha → 1982, a Unesco inscreve o sítio

A quase oito graus ao norte do equador, na planície seca do centro do Sri Lanka, um bloco de granito sobe cerca de 180 metros acima da mata. O topo é plano, tem perto de 1,5 hectare e fica a 349 metros acima do nível do mar. Dali se vê a floresta inteira até a linha das montanhas, e qualquer exército que se aproximasse aparecia horas antes de chegar.

A rocha é o que sobrou de um antigo vulcão: o magma endureceu dentro da chaminé, e a erosão levou a montanha em volta. Os paredões são quase verticais. Não há caminho natural até o alto.

Mesmo assim, no fim do século V, um rei mandou levar tijolo, cal e água até lá em cima. No topo ergueu um palácio com cisternas escavadas na pedra. Na base, jardins com piscinas e canais. No meio da subida, uma escada que passava por dentro da boca de um leão de tijolo.

O rei se chamava Kashyapa I. Governou por 18 anos, de 477 a 495. Quando perdeu a guerra contra o próprio irmão, a corte desceu e voltou para a capital antiga, Anuradhapura. O palácio no céu durou menos que uma geração.

O que ficou em Sigiriya depois disso foi outra história. Ao longo do paredão corria um muro coberto de reboco tão liso que refletia quem passava. Monges, peregrinos, soldados e funcionários subiram a trilha nos séculos seguintes, olharam as pinturas de mulheres na rocha e riscaram no reboco o que sentiram.

Entre os séculos VIII e X, o muro espelhado virou caderno de visitas. Centenas de versos curtos, em cingalês antigo, falando das mulheres pintadas, do vento, do rei que não estava mais lá.

Um palácio construído para ninguém subir terminou como o lugar mais visitado da ilha. O Estrato começa no crime de família que levou um rei a fugir para cima da pedra.

Continue lendo ↓

 
 
 

Quem banca a edição de hoje

Smart starts here.

You don't have to read everything — just the right thing. 1440's daily newsletter distills the day's biggest stories from 100+ sources into one quick, 5-minute read. It's the fastest way to stay sharp, sound informed, and actually understand what's happening in the world. Join 4.5 million readers who start their day the smart way.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

I  O Estrato

Um trono tomado à força

O pai de Kashyapa era Dhatusena, rei de Anuradhapura, a grande capital budista do norte da ilha. Dhatusena tinha dois filhos: Kashyapa, nascido de uma esposa de posição inferior, e Moggallana, filho da rainha, o herdeiro pela regra da corte.

Em 477, Kashyapa se aliou ao comandante do exército, Migara, e prendeu o pai. Moggallana escapou para o sul da Índia. Segundo a crônica, Dhatusena foi emparedado vivo depois de se recusar a revelar onde guardava o tesouro.

O rei com medo

Kashyapa tinha o trono, mas sabia que o irmão voltaria com um exército. Anuradhapura ficava em terreno plano e aberto. Ele precisava de um lugar que se defendesse sozinho.

Escolheu a rocha de Sigiriya, a cerca de 70 quilômetros ao sul da capital, numa região onde monges budistas viviam em grutas desde o século III a.C. Ali mandou erguer a nova cidade real.

Kashyapa trocou a capital por um esconderijo à vista de todos.

A cidade em três andares

A obra seguiu um plano simétrico. Na base, um fosso e muralhas cercavam jardins de água com piscinas, canais e fontes alimentadas por condutos subterrâneos. Algumas dessas fontes ainda jorram nas chuvas de monção, mais de 1.500 anos depois.

No meio da subida, num terraço, ficava a entrada monumental: um leão de tijolo sentado contra a rocha, com a escada saindo pela boca dele. É do leão que vem o nome, Sihagiri, a rocha do leão.

No topo, o palácio ocupava toda a superfície plana, com salões, terraços e uma cisterna escavada no granito. A água da chuva bastava para a corte.

Para levar o material até lá, os construtores cortaram degraus e encaixes no granito e prenderam neles escadas e passarelas de madeira e tijolo. Os sulcos dessas fixações ainda aparecem na parede da rocha.

O monge que escreveu a crônica Culavamsa, compilada a partir do século XIII com base em registros mais antigos, conta que Kashyapa vivia ali "como o deus Kuvera", o deus da riqueza, numa cidade nas nuvens.

 

Quem banca a edição de hoje

Searching for the perfect gift for him? Gravité Cologne by Particle blends citrus, amber, and rosemary into a sophisticated masculine scent engineered to last all day. Get 20% off with code BH20. Give Him Gravité

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

II  O Padrão

O muro de reboco espelhado

Moggallana voltou em 495 com tropas recrutadas no sul da Índia. Kashyapa desceu da rocha para enfrentar o irmão na planície, montado num elefante de guerra.

No meio da batalha, o elefante desviou de um pântano. As tropas entenderam o movimento como recuo e debandaram. Sozinho, Kashyapa sacou o punhal, segundo o Culavamsa, e tirou a própria vida no campo.

A corte desce

Moggallana não quis o palácio do irmão. Levou a corte de volta para Anuradhapura e entregou Sigiriya aos monges budistas. A rocha virou mosteiro e seguiu assim, com períodos de abandono, até por volta do século XIV.

O palácio perdeu o telhado. Os jardins encheram de lama. Mas a galeria ao longo do paredão continuou de pé, e com ela as pinturas.

Os monges não apagaram o que o rei deixou. A trilha seguiu aberta, e a fama da rocha correu pela ilha. Peregrinos a caminho dos templos do norte passaram a fazer o desvio para subir até a galeria.

A corte foi embora, e a rocha passou a pertencer a quem subia para olhar.

As mulheres na rocha

Numa reentrância do paredão, a meia altura, Kashyapa mandou pintar mulheres em tamanho quase natural, saindo de nuvens, carregando flores. Estimativas antigas falam em até 500 figuras numa faixa larga da rocha. Restam cerca de 20.

Logo abaixo delas corria o muro espelhado, um parapeito de tijolo coberto de reboco à base de cal, polido até brilhar. Quem passava pela galeria via as pinturas acima e o próprio vulto refletido ao lado.

Os versos riscados

A partir do século VIII, os visitantes começaram a escrever no reboco com pontas de metal. São versos curtos, em cingalês antigo, quase todos sobre as mulheres pintadas: a cor da pele, o olhar, a tristeza de ninguém responder.

Muitos trazem o nome do autor e a profissão. Há monges, arqueiros, escribas, uma mulher que escreve com ciúme das figuras, um homem que diz ter subido e não conseguido falar com elas.

O epigrafista cingalês Senarath Paranavitana passou anos lendo o muro com luz rasante. Em Sigiri Graffiti, publicado em 1956, transcreveu e traduziu 685 versos, quase todos dos séculos VIII a X. Leituras posteriores passaram de mil.

Os versos seguem regras. Quase todos têm duas ou quatro linhas, e muitos respondem a versos anteriores, como uma conversa que atravessou gerações no mesmo reboco. Um visitante elogia a pintura, o seguinte discorda, um terceiro ri dos dois.

Ninguém fala do rei como herói. Kashyapa aparece pouco, e quando aparece é como lembrança distante. O assunto do muro é o que o visitante sentiu diante das figuras.

O muro guarda um dos registros mais antigos de poesia cingalesa e mostra que o Sri Lanka medieval já tratava Sigiriya como atração: um lugar onde se ia para ver as pinturas e deixar a própria marca.

III  O Arquivo

O que ficou no alto da rocha

Depois do século XIV, a mata cobriu os jardins e o caminho. A rocha ficou conhecida pelos moradores da região, mas saiu dos registros escritos.

Em 1831, o major britânico Jonathan Forbes, do 78º Regimento, subiu até a galeria e descreveu o sítio. Nas décadas seguintes, arqueólogos britânicos limparam os terraços e fotografaram as pinturas.

Em 1967, um visitante jogou tinta sobre parte das figuras. A restauração levou anos e recuperou boa parte das cores, mas algumas mulheres perderam o rosto.

O que se vê hoje

A escada atual tem cerca de 1.200 degraus. No terraço do meio, as duas patas de tijolo do leão continuam de pé, com garras do tamanho de um homem. A cabeça e a boca desabaram há séculos.

O muro espelhado ainda brilha em trechos, e os versos seguem lá. Para protegê-los, o governo proibiu novas inscrições, e o visitante que risca o muro hoje pode ser preso. A Unesco inscreveu Sigiriya na lista do Patrimônio Mundial em 1982.

O muro que recebeu versos por três séculos hoje fica atrás de uma placa de proibido escrever.

O que não se sabe

Não se sabe se Kashyapa ergueu tudo ou se reformou um mosteiro que já existia. Parte dos arqueólogos lê Sigiriya como cidade real; outra parte, como centro religioso que a crônica transformou em fortaleza de um rei culpado.

Também não se sabe quem são as mulheres pintadas. A leitura mais comum fala em ninfas celestes, as apsaras. Outras propostas falam em rainhas e damas da corte, ou em figuras da deusa Tara.

A técnica do reboco espelhado também tem lacunas. A tradição local fala em mistura de cal, clara de ovo e mel silvestre, mas as análises publicadas não confirmam a receita.

As fontes

Para conferir: o Culavamsa, crônica em páli escrita por monges budistas, na tradução de Wilhelm Geiger publicada em 1929, e Sigiri Graffiti, de Senarath Paranavitana, de 1956, com os versos do muro.

A quase oito graus ao norte do equador, a rocha segue a 180 metros acima da mata. Na galeria do meio, o reboco liso ainda devolve o vulto de quem passa, e ao lado dele estão os versos de quem subiu entre os séculos VIII e X para ver as mulheres pintadas.

 
 
Quiz da edição

No Culavamsa, o que fez as tropas de Kashyapa debandarem no meio da batalha final contra Moggallana?

AMoggallana ofereceu paz e Kashyapa recusou lutar
BAs tropas desertaram ao avistar os reforços vindos do sul da Índia
CO elefante de Kashyapa desviou de um pântano e o movimento foi lido como recuo
DUm general abriu as portas da cidade para o irmão

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🗿🗿🗿🗿🗿  ótima 🗿🗿🗿🗿  boa 🗿🗿🗿  ok 🗿🗿  ruim 🗿  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 04/11, 15h30

A Vidro de Ifé →
B Mahilaka →
C L'Anse aux Meadows →
D Reino de Ryukyu →
 
 
Recomendação de Newsletter
Invenção do Dia

Invenção do Dia

Uma invenção por dia, com quem criou, o ano e o que mudou após ela, em apenas dois minutos. No seu email todo dia às 06:06.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 

O passado fala. Sic transit gloria mundi.

CIVILIZAÇÕES PERDIDAS

Toda civilização já foi o futuro. Até deixar de ser

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo