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Moggallana voltou em 495 com tropas recrutadas no sul da Índia. Kashyapa desceu da rocha para enfrentar o irmão na planície, montado num elefante de guerra.
No meio da batalha, o elefante desviou de um pântano. As tropas entenderam o movimento como recuo e debandaram. Sozinho, Kashyapa sacou o punhal, segundo o Culavamsa, e tirou a própria vida no campo.
A corte desce
Moggallana não quis o palácio do irmão. Levou a corte de volta para Anuradhapura e entregou Sigiriya aos monges budistas. A rocha virou mosteiro e seguiu assim, com períodos de abandono, até por volta do século XIV.
O palácio perdeu o telhado. Os jardins encheram de lama. Mas a galeria ao longo do paredão continuou de pé, e com ela as pinturas.
Os monges não apagaram o que o rei deixou. A trilha seguiu aberta, e a fama da rocha correu pela ilha. Peregrinos a caminho dos templos do norte passaram a fazer o desvio para subir até a galeria.
A corte foi embora, e a rocha passou a pertencer a quem subia para olhar.
As mulheres na rocha
Numa reentrância do paredão, a meia altura, Kashyapa mandou pintar mulheres em tamanho quase natural, saindo de nuvens, carregando flores. Estimativas antigas falam em até 500 figuras numa faixa larga da rocha. Restam cerca de 20.
Logo abaixo delas corria o muro espelhado, um parapeito de tijolo coberto de reboco à base de cal, polido até brilhar. Quem passava pela galeria via as pinturas acima e o próprio vulto refletido ao lado.
Os versos riscados
A partir do século VIII, os visitantes começaram a escrever no reboco com pontas de metal. São versos curtos, em cingalês antigo, quase todos sobre as mulheres pintadas: a cor da pele, o olhar, a tristeza de ninguém responder.
Muitos trazem o nome do autor e a profissão. Há monges, arqueiros, escribas, uma mulher que escreve com ciúme das figuras, um homem que diz ter subido e não conseguido falar com elas.
O epigrafista cingalês Senarath Paranavitana passou anos lendo o muro com luz rasante. Em Sigiri Graffiti, publicado em 1956, transcreveu e traduziu 685 versos, quase todos dos séculos VIII a X. Leituras posteriores passaram de mil.
Os versos seguem regras. Quase todos têm duas ou quatro linhas, e muitos respondem a versos anteriores, como uma conversa que atravessou gerações no mesmo reboco. Um visitante elogia a pintura, o seguinte discorda, um terceiro ri dos dois.
Ninguém fala do rei como herói. Kashyapa aparece pouco, e quando aparece é como lembrança distante. O assunto do muro é o que o visitante sentiu diante das figuras.
O muro guarda um dos registros mais antigos de poesia cingalesa e mostra que o Sri Lanka medieval já tratava Sigiriya como atração: um lugar onde se ia para ver as pinturas e deixar a própria marca.
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