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No século III depois de Cristo, os godos, povo germânico que descera para o mar Negro, usaram navios do Bósforo para saquear a costa da Ásia Menor. O historiador grego Zósimo, na História Nova, escrita por volta de 500, conta que os reis do estreito cederam os barcos.
As moedas param com Rescúporis VI, por volta de 341. Pouco depois, por volta de 370, os hunos atravessaram o estreito, provavelmente pelo gelo, e Panticapeu entrou em declínio. A cidade seguiu habitada sob bizantinos e cázaros, mas o reino acabou.
Nove séculos de trigo terminaram sem uma linha de crônica sobre o último rei.
O que se vê hoje
A acrópole de Panticapeu ocupa o topo do monte Mitrídates, com colunas de um templo e fundações de casas. O Museu Púchkin, de Moscou, mantém uma expedição arqueológica no Bósforo desde 1945.
Perto da cidade, o Kurgan Real, do século IV antes de Cristo, guarda uma câmara funerária de pedra com abóbada em degraus, aberta por um corredor longo. Os saqueadores chegaram antes dos arqueólogos, que em 1837 encontraram a câmara vazia.
Fanagória, a capital da margem asiática, tem um terço das ruínas debaixo d'água, porque o nível do mar Negro subiu desde a Antiguidade. Mergulhadores tiram dali ânforas e restos de cais.
O ouro da Crimeia viajou para Amsterdã em 2014, para uma exposição no Museu Allard Pierson. Naquele ano a Rússia anexou a península, e museus da Crimeia e a Ucrânia disputaram as peças na Justiça holandesa. Em 2023, a Suprema Corte dos Países Baixos mandou entregar o acervo à Ucrânia.
O que não se sabe
Não se sabe quantas pessoas viviam no reino, nem quanto trigo ele exportava fora do ano que Demóstenes cita. Os 400 mil medimnos são o número de um orador num processo, sem conferência possível, e o arquivo dos reis se perdeu.
Também não se sabe como terminou a última dinastia. As moedas acabam, as crônicas se calam, e os arqueólogos datam o fim pelas camadas de incêndio e abandono das cidades.
As fontes
Para conferir: Contra Leptines, de Demóstenes, de 355 antes de Cristo, e o livro VII da Geografia, de Estrabão, do começo do século I.
Para o conjunto, o historiador russo Mikhail Rostovtzeff reuniu arqueologia e textos em Iranians and Greeks in South Russia (Iranianos e gregos no sul da Rússia), publicado em 1922.
A 45 graus norte, o estreito de Kerch segue com seus quatro quilômetros de água rasa entre a Crimeia e Taman. Do monte Mitrídates se veem as colunas da acrópole e, sobre o canal onde Neoptólemo lutou no gelo, a ponte da Crimeia, aberta em 2018, por onde hoje passam trens de carga.
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