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Pedro Bohórquez nasceu na Andaluzia, no sul da Espanha, no começo do século XVII, e chegou moço ao Peru atrás de fortuna. Passou anos em expedições pela selva e em prisões coloniais, e aprendeu o quíchua, a língua do antigo Império Inca.
Em 1656, entrou nos vales calchaquíes e se apresentou aos chefes como descendente dos incas, herdeiro do sangue de Atahualpa, o imperador inca executado pelos espanhóis em 1533. Os caciques (chefes das aldeias) o aceitaram e passaram a tratá-lo como soberano.
O acordo de Pomán
Em 1657, Mercado y Villacorta recebeu Bohórquez na aldeia de Pomán, com festa e cerimônia. O andaluz prometeu entregar à Coroa as minas de ouro escondidas dos incas e levar os índios dos vales à fé católica. Em troca, ganhou do governador o título de tenente nos vales.
O acordo durou poucos meses. O vice-rei do Peru, em Lima, desconfiou da manobra e mandou prender o falso inca. Bohórquez, cercado de guerreiros armados, escolheu o lado deles, e em 1658 começou a terceira guerra calchaquí.
Os quilmes lutaram a última guerra sob um rei inca nascido na Espanha.
A rendição do falso inca
Bohórquez se entregou em 1659, com promessa de perdão, e foi levado a Lima. Passou oito anos preso e, em 1667, foi executado na cidade, acusado de tramar outra revolta de dentro da cadeia.
A prisão não apagou o efeito do teatro. Durante dois anos, aldeias que nunca tinham agido juntas seguiram um mesmo comandante, e a guerra que ele acendeu sobreviveu à saída dele dos vales.
Os vales seguiram em guerra sem ele. Os quilmes, no pucará, viraram o último núcleo armado, e as expedições espanholas dos anos seguintes voltaram sem tomar o morro.
O cerco de 1665
Mercado y Villacorta montou a campanha final em 1665, com soldados espanhóis e guerreiros de outros povos dos vales que já tinham feito as pazes com a Coroa. Em vez de subir a encosta, fechou o vale: queimou as plantações, tomou as fontes de água e prendeu quem descia para buscar comida.
O jesuíta Hernando de Torreblanca, missionário nos vales durante a guerra, registrou essas campanhas e o papel de Bohórquez na Relación histórica de Calchaquí (Relato histórico de Calchaquí), escrita em 1696. A rendição dos quilmes veio pelo cerco, sem assalto final à muralha de pedra.
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