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Roma cresceu quase sempre pela espada, mas houve casos em que o território chegou por papel. O mais famoso fica na costa da atual Turquia: Pérgamo, reino grego cuja biblioteca rivalizava com a de Alexandria.
Em 133 antes de Cristo, o rei Átalo III deixou em testamento o reino ao povo romano. Átalo não tinha filho, e Pérgamo já vivia havia décadas como aliado de Roma, com tratados, embaixadas e comércio constante.
A herança não saiu limpa. Aristônico, que se dizia meio-irmão do rei, levantou parte do reino contra Roma, e a guerra durou até 129 antes de Cristo. Só então a região virou a província da Ásia.
Três passos de uma anexação sem batalha
Os dois reinos seguiram uma sequência parecida, que se repete em outras fronteiras do império:
1. Primeiro vem o negócio: mercadores estrangeiros se instalam com licença do rei e o reino passa a depender do comprador.
2. Depois vem a aliança: o rei manda tropas, filhos ou irmãs para o lado do vizinho maior e ganha título de amigo.
3. Por último vem a administração: um funcionário de fora passa a cobrar imposto, e o rei some dos documentos sem que ninguém registre a data.
Em Pérgamo, o terceiro passo veio por testamento e provocou revolta. Em Nórico, veio aos poucos e não deixou guerra nos registros.
O Espelho: Pérgamo e Nórico chegaram a Roma pela amizade, e só o barulho da passagem separou um do outro.
Augusto preparava naquele período a campanha contra récios e vindélicos, conduzida em 15 antes de Cristo pelos enteados Druso e Tibério. O Nórico ficou no caminho, mas não entrou na conta dos vencidos.
O troféu que Augusto ergueu em La Turbie, nos morros sobre Mônaco, por volta de 6 antes de Cristo, lista dezenas de povos alpinos submetidos. Os nóricos não estão entre eles.
O reino que virou província
Depois de 15 antes de Cristo, o território ainda aparece como regnum (reino) em inscrições, com um procurador (administrador nomeado pelo imperador) no lugar do rei. Só sob o imperador Cláudio, por volta de 45 depois de Cristo, virou província com capital nova.
A capital foi Virúnio, construída na planície do Zollfeld, logo abaixo do Magdalensberg. A cidade da encosta foi abandonada na mesma época, e os moradores desceram o morro.
Os nóricos ganharam cidadania aos poucos e passaram a servir nas tropas auxiliares romanas. O ferro continuou saindo das mesmas minas, agora com imposto pago ao império.
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