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Mapungubwe é o nome dado ao sítio e ao reino que teve centro nessa colina, no norte da atual província do Limpopo, África do Sul. As datações por radiocarbono publicadas pelas equipes que trabalharam no sítio colocam a ocupação principal entre cerca de 1220 e 1290 da nossa era, um período curto e denso.
A ocupação não começa ali. Antes da colina, o vale abrigou povoados agropastoris que os arqueólogos chamam de Schroda e K2, ocupados desde o século IX, com gado, cerâmica própria e comércio de marfim já ativo. K2 fica a poucos quilômetros da colina e foi abandonado quando a população se mudou para o pé de Mapungubwe.
A mudança tem geometria social visível no terreno. Antes, o gado ficava no centro do povoado e o chefe morava junto do rebanho. Em Mapungubwe, a elite subiu para o platô rochoso e a maioria da população ficou na planície ao redor. O arqueólogo Thomas Huffman, da Universidade do Witwatersrand, lê essa separação física como a primeira evidência de estratificação de classes no sul da África, e estima que a área ocupada no sopé abrigou milhares de pessoas.
A economia que sustentou a colina tinha três pernas: gado nas terras baixas do Limpopo, marfim e ouro extraídos e trabalhados no interior, e uma rota que descia até portos do canal de Moçambique, de onde a mercadoria seguia para Kilwa e para o mundo do oceano Índico.
O que voltava por essa rota está no chão do sítio. As escavações recolheram contas de vidro fabricadas fora da África, fragmentos de cerâmica vidrada chinesa e tecido, todos itens que não se produziam no vale. Contas de vidro em quantidade grande, num lugar sem vidraria, indicam um fluxo regular e não um contato isolado.
O ouro é o material que muda a leitura. Além do rinoceronte, saíram do topo da colina um cetro e um recipiente em forma de tigela, feitos com a mesma técnica: folha de ouro batida e pregada com tachas minúsculas sobre um corpo de madeira esculpida. A madeira apodreceu no solo, o ouro amassou, e a restauração precisou remontar a forma a partir das lâminas soltas.
A técnica diz duas coisas ao mesmo tempo. Havia ourives locais capazes de bater ouro em folha fina e de trabalhar com tacha de ouro, e havia uma corte com poder para acumular metal e enterrá-lo em vez de comerciá-lo. Objeto de ouro que sai de circulação e vai para a sepultura é sinal de hierarquia consolidada.
O topo da colina também explica por que o sítio se preservou. O acesso original passava por uma fenda estreita na rocha, com degraus talhados e buracos para postes de madeira, e a subida podia ser controlada por poucas pessoas. Um lugar difícil de alcançar guarda melhor o que foi enterrado nele, e foi por causa da altura que a terra do platô, carregada de contas e de lâminas de ouro, ficou onde estava por sete séculos.
O abandono veio rápido. A queda de temperatura e de chuva na região, no fim do século XIII, reduziu a capacidade agrícola do vale, e o eixo do comércio de ouro se deslocou para o planalto ao norte, onde o Grande Zimbábue cresceu no século seguinte. A corte que mandava do alto da colina deixou de mandar em algumas décadas.
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