|
Urartu nasceu no século IX a.C., quando os chefes das montanhas do leste da Anatólia se juntaram sob uma só coroa. Sarduri I fixou a capital em Tushpa, uma cidadela sobre o rochedo que se ergue na margem leste do lago Van.
Menua, filho de Ishpuini, governou por volta de 810 a 786 a.C. e foi o grande construtor da dinastia. Seu nome aparece gravado em fortalezas, templos e obras de água espalhados pelo reino, quase sempre com a mesma fórmula: o rei fez, pela grandeza do deus Haldi, a divindade principal de Urartu.
Sob Menua, Urartu avançou para o norte, em direção ao vale do Araxes, e para o oeste, até a margem do Eufrates. Um reino que se espalhava por planaltos acima de 1.600 metros dependia de colheitas curtas, e cada horta irrigada no verão valia muito.
O traçado na curva de nível
O canal sai das nascentes do vale do Engil e corre para o norte, colado às encostas que margeiam o lago. Para não precisar de bomba, os engenheiros seguiram a curva de nível (a linha imaginária que liga pontos da mesma altitude), com uma queda tão pequena que a água anda devagar.
Água devagar escava menos o leito e chega inteira. Água rápida arranca as margens e transborda nas curvas. Em boa parte do percurso o canal é uma vala aberta na terra, revestida de pedra onde o solo é fraco.
Onde a encosta despenca, a obra muda de forma. Os construtores ergueram muros de arrimo (paredes que seguram a terra de um aterro) com blocos grandes assentados sem argamassa, e sobre eles fizeram o canal passar como uma prateleira pendurada no morro.
Parte desses muros ainda está de pé, com pedras do tamanho de uma mesa encaixadas umas nas outras. Sem argamassa, a parede respira: a água que infiltra escorre pelas frestas, em vez de acumular atrás do muro e empurrar até derrubá-lo.
A ponte de pedra sobre o rio
Num ponto do trajeto, o canal precisa vencer o vale de um rio que corre mais baixo. Ali os engenheiros de Menua levantaram um aterro alto, com muros de pedra dos dois lados, e fizeram a água cruzar por cima, num aqueduto de alvenaria.
Menua deixou o rio correr embaixo e pôs o canal para passar por cima dele.
Ao longo do percurso, o rei mandou gravar inscrições em escrita cuneiforme (a escrita feita de traços em forma de cunha) na rocha e em blocos dos muros. Elas dão crédito a Menua e, em algumas, rogam a ira de Haldi, de Teisheba, deus da tempestade, e de Shivini, deus do sol, contra quem estragar a obra.
|