In partnership with

Civilizações Perdidas   Civilizações Perdidas
ED 167
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores na votação de ontem.

L'Anse aux Meadows e a madeira de 1021

Na ponta norte da Terra Nova, uma tempestade solar de 993 marcou os anéis das árvores e deu o ano do acampamento nórdico

Casas de turfa reconstruídas no terraço de L'Anse aux Meadows, na Terra Nova

L'Anse aux Meadows, ponta norte da Terra Nova

▼

A LINHA DO TEMPO

c. 985, Érico, o Vermelho, funda as colônias da Groenlândia → 993, uma tempestade solar marca os anéis das árvores → 1021, nórdicos cortam árvores na Terra Nova → c. 1075, Adão de Bremen cita Vinland → 1960, os Ingstad chegam ao terraço → 2021, a Nature publica a data

A 51 graus e 35 minutos de latitude norte, na ponta da península Great Northern, na Terra Nova, um terraço de capim acompanha a baía de Épaves. Dali se veem as ilhas Sacred e o mar aberto do estreito de Belle Isle, por onde descem icebergs no começo do verão.

Um riacho, o Black Duck, corta o terraço até a praia, entre turfeiras e moitas baixas de abeto. Na margem dele havia montes compridos cobertos de capim, que os pescadores da vila chamavam de acampamento indígena antigo. O nome do lugar vem, pela explicação mais aceita, do francês L'Anse aux Méduses, a enseada das águas-vivas.

Em 1960, o pescador George Decker levou até os montes o explorador norueguês Helge Ingstad e a arqueóloga Anne Stine Ingstad, mulher dele. O casal percorria a costa da América do Norte atrás do lugar que as sagas islandesas chamam de Vinland.

Debaixo do capim estavam paredes de turfa (blocos de terra com raiz, cortados do chão) no desenho das casas da Islândia e da Groenlândia. As escavações dos anos seguintes acharam oito construções, uma forja e ferro trabalhado, numa região onde ninguém fundia metal na época.

Faltava o ano. O carbono-14 (forma do carbono que decai num ritmo conhecido e serve para datar material orgânico) dava uma faixa de décadas em torno do ano 1000. O estilo dos objetos, como um alfinete de bronze de prender capa, não estreitava a conta.

Em 2021, uma equipe da Universidade de Groningen, na Holanda, fixou a data em três lascas de madeira cortadas com lâmina de metal: as árvores caíram em 1021. O relógio usado foi uma tempestade solar de 993, gravada nos anéis das árvores do planeta inteiro.

O acampamento durou poucos anos. Gente que atravessava mais de mil quilômetros de mar para cortar madeira vinha de uma terra sem ela. O Estrato começa na Groenlândia, onde quase não cresce árvore.

Continue lendo ↓

 
 
 

Quem banca a edição de hoje

Why Overseas Producers Can't Undercut Atlas Salt, Even for Free

Cities are already running short on road salt, and winter hasn't even started. Some supply bids are going unanswered, prices have nearly doubled in parts of the market, and the backup plan is two weeks away by boat. Here's why Atlas Salt (TSXV: SALT | OTCQX: SALQF) can get salt to the people who need it most, faster and cheaper than anyone shipping from overseas: 

• Three days by ship to Boston, not fourteen

• Shallow deposit that's cheaper and faster to mine

• Projected C$188M a year in free cash flow

• Export Development Canada interested in lending C$150M

• Early supply deal with top U.S. salt distributor

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

I  O Estrato

A Groenlândia sem madeira

Érico, o Vermelho, chegou à Groenlândia por volta de 985 com um grupo de colonos islandeses. Fundou duas áreas de fazenda nos fiordes do sudoeste, a Colônia Oriental e a Colônia Ocidental, onde a grama do verão sustentava vacas, ovelhas e cabras.

A ilha tinha pasto e não tinha floresta. Crescia bétula anã e salgueiro rasteiro, bons para lenha e inúteis para viga de casa ou casco de barco. A madeira grande vinha dos troncos que o mar jogava na praia, trazidos pelas correntes desde a Sibéria, ou de navio da Noruega.

Uma colônia sem floresta vivia do tronco que chegava de fora.

As sagas de Vinland

Duas sagas escritas na Islândia no século XIII, a Saga dos Groenlandeses e a Saga de Érico, o Vermelho, contam as viagens para oeste. Por volta do ano 1000, Leif Eriksson, filho de Érico, passou por uma terra de pedras chatas, que chamou de Helluland, por uma terra de floresta, Markland, e chegou a uma terra de uvas, Vinland.

Leif ergueu casas grandes, passou um inverno e voltou com o navio cheio de madeira e uva. Anos depois, Thorfinn Karlsefni tentou ficar: uma saga fala em 60 homens e cinco mulheres; a outra, em 160 pessoas. Ali nasceu Snorri, filho dele com Gudrid, a primeira criança europeia nascida na América de que se tem registro.

A primeira menção escrita a Vinland é mais antiga que as sagas. O cronista alemão Adão de Bremen ouviu o rei Sueno II, da Dinamarca, falar da terra nova:

“Ele contou ainda de uma ilha descoberta por muitos naquele oceano, chamada Vinland, porque ali as videiras nascem sozinhas e dão ótimo vinho.” (Adão de Bremen, Feitos dos Bispos da Igreja de Hamburgo, c. 1075)

O anel de 993

As sagas não dão ano. Em 2013, a física japonesa Fusa Miyake, da Universidade de Nagoya, mostrou um salto de carbono-14 nos anéis de árvores do ano 993, atribuído hoje a uma tempestade de partículas vindas do sol.

Naquele ano, a atmosfera inteira ganhou carbono-14 extra, e toda árvore viva guardou o excesso no anel que crescia. O anel de 993 virou marca fixa, a mesma em carvalho da Europa, cedro do Japão e abeto da Terra Nova.

A equipe de Margot Kuitems e Michael Dee, da Universidade de Groningen, mediu anel por anel três pedaços de madeira de L'Anse aux Meadows, de três árvores diferentes, todos com corte de lâmina de metal. Os povos da região não usavam ferramenta de metal na época.

Achado o anel de 993, bastou contar até a casca. Nos três pedaços, o último anel crescido é de 1021, 471 anos antes da chegada de Colombo ao Caribe. O estudo saiu na revista Nature em outubro de 2021.

 

Quem banca a edição de hoje

Your fall escape awaits

Mountain air, city lights or somewhere new? There's still time to make your fall plans take flight with Alaska Airlines. See the fall foliage in Boston, sip cider in Seattle, or swap your flannel for a swimsuit and head to Hawai'i.

Subject to availability. Terms and conditions apply.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

II  O Padrão

Pregos de navio e nozes do sul

Os nórdicos levantaram em L'Anse aux Meadows três salões de turfa com cabanas ao lado, uma forja e uma oficina. Birgitta Wallace, arqueóloga do serviço de parques do Canadá que escavou o sítio nos anos 1970, calcula que entre 70 e 90 pessoas cabiam ali.

Faltam as marcas de uma vila. Não há estábulo nem cerca de pasto, não há cemitério, e o lixo acumulado em volta das casas é fino, de poucos anos de uso.

O estaleiro

A forja ficava separada dos salões, junto ao riacho, por causa do fogo. Ali os nórdicos fundiram ferro de pântano (minério que se forma no fundo das turfeiras) e fizeram pregos de navio. Perto da água apareceram pregos quebrados e cortados, descartados no conserto de barcos.

Entre os achados estão um peso de fuso de pedra-sabão e uma agulha de osso, ferramentas de fiar e costurar que, na Groenlândia, eram trabalho das mulheres.

Também apareceram nozes de nogueira-cinzenta, árvore que não cresce na Terra Nova. O limite norte dela fica no leste de New Brunswick, a centenas de quilômetros ao sul, a mesma região onde a uva cresce sem cultivo.

O acampamento era a porta, e a uva vinha de mais ao sul.

A conta da distância

A Groenlândia nórdica nunca passou de poucos milhares de habitantes. Manter um terceiro povoado a mais de mil quilômetros de mar exigia gente, navios e verão bom, e a colônia tinha pouco de cada.

As sagas apontam outro custo: o encontro com os povos da terra, que elas chamam de skrælingar. Houve troca de tecido por peles e depois combate, e Karlsefni partiu com os seus depois de três invernos, segundo a Saga de Érico, o Vermelho.

A madeira continuou chegando sem acampamento. Os anais islandeses de 1347 registram um navio groenlandês que voltava de Markland, com 17 homens a bordo numa das versões, e foi desviado pela tempestade até a Islândia.

O espelho

O padrão de L'Anse aux Meadows volta em todo posto montado para buscar o que falta em casa: ele dura enquanto a viagem compensa e some quando a base aprende a buscar a carga sem morar lá.

Na mina de diamantes de Diavik, nos Territórios do Noroeste do Canadá, os trabalhadores chegam de avião para turnos de duas semanas e voltam para casa no fim deles, e a carga pesada do ano sobe por uma estrada de gelo aberta só no inverno.

III  O Arquivo

As fundações sob o capim

Antes e depois dos nórdicos, povos indígenas acamparam no terraço. As escavações acharam fogueiras e ferramentas de pedra de vários grupos, com milhares de anos de uso, de antes e de depois das casas de turfa.

Os salões nórdicos ficaram vazios, o teto caiu e o capim cobriu as paredes. Por quase mil anos, os montes à beira do riacho não tiveram nome nórdico.

O ano de 1021 está provado; o nome de quem derrubou as árvores, não.

O que se vê hoje

Depois das escavações, as fundações originais voltaram para debaixo da terra, para não se desfazerem no vento e no gelo. No terraço, elas aparecem como contornos baixos no capim, marcados para o visitante.

Ao lado, o serviço de parques do Canadá reconstruiu três construções de turfa com teto de capim, fogo no chão e bancos de dormir junto às paredes. A UNESCO pôs o sítio na lista do Patrimônio Mundial em 1978, entre os doze primeiros lugares da lista.

O que não se sabe

Não se sabe se L'Anse aux Meadows foi o acampamento de Leif, o de Karlsefni ou um terceiro que as sagas não contam. Wallace defende que o lugar corresponde a Straumfjord, a base que a Saga de Érico, o Vermelho, descreve no caminho para Vinland.

Também falta o motivo exato do abandono. O lixo fino diz que o uso foi curto, mas não diz se pesou a distância, o combate ou a falta de gente na Groenlândia. O ano de 1021 marca um corte de árvore, sem dizer se foi o primeiro verão do acampamento ou o último.

Até hoje, nenhum outro sítio nórdico foi confirmado na América do Norte fora da Groenlândia.

As fontes

Para a data: Evidence for European presence in the Americas in AD 1021 (Indícios de presença europeia nas Américas em 1021), de Margot Kuitems e colegas, publicado na Nature em 2021.

Para o sítio: Westward Vikings: The Saga of L'Anse aux Meadows (Vikings para o oeste: a saga de L'Anse aux Meadows), de Birgitta Wallace, publicado em 2006 pela associação de sítios históricos da Terra Nova e Labrador.

A 51 graus e 35 minutos norte, os icebergs ainda descem pelo estreito de Belle Isle no começo do verão, diante do terraço de capim. Na beira do riacho Black Duck, onde os pescadores viam um acampamento indígena, as fundações de turfa guardam o ano em que os nórdicos derrubaram as árvores: 1021, lido no anel da tempestade de 993.

 
 
Quiz da edição

Segundo o texto, o que aconteceu em 993 e permitiu datar com precisão o corte das árvores em L'Anse aux Meadows?

AUma erupção vulcânica alterou a espessura dos anéis das árvores
BUm cometa iluminou o céu e foi registrado pelos nórdicos em runas
CUma tempestade solar deixou um pico de carbono-14 nos anéis das árvores do mundo inteiro
DUma seca extrema reduziu o crescimento das árvores naquele ano

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🗿🗿🗿🗿🗿  ótima 🗿🗿🗿🗿  boa 🗿🗿🗿  ok 🗿🗿  ruim 🗿  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 05/11, 15h30

A Co Loa →
B Sri Ksetra →
C Reino Luba →
D Chan Chan →
 
 
Recomendação de Newsletter
Batalha do Dia

Batalha do Dia

Uma batalha por dia, com a decisão que definiu a vitória e o que mudou depois da guerra, em dois minutos. No seu email todo dia às 20:20.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 

O passado fala. Sic transit gloria mundi.

CIVILIZAÇÕES PERDIDAS

Toda civilização já foi o futuro. Até deixar de ser

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo