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Érico, o Vermelho, chegou à Groenlândia por volta de 985 com um grupo de colonos islandeses. Fundou duas áreas de fazenda nos fiordes do sudoeste, a Colônia Oriental e a Colônia Ocidental, onde a grama do verão sustentava vacas, ovelhas e cabras.
A ilha tinha pasto e não tinha floresta. Crescia bétula anã e salgueiro rasteiro, bons para lenha e inúteis para viga de casa ou casco de barco. A madeira grande vinha dos troncos que o mar jogava na praia, trazidos pelas correntes desde a Sibéria, ou de navio da Noruega.
Uma colônia sem floresta vivia do tronco que chegava de fora.
As sagas de Vinland
Duas sagas escritas na Islândia no século XIII, a Saga dos Groenlandeses e a Saga de Érico, o Vermelho, contam as viagens para oeste. Por volta do ano 1000, Leif Eriksson, filho de Érico, passou por uma terra de pedras chatas, que chamou de Helluland, por uma terra de floresta, Markland, e chegou a uma terra de uvas, Vinland.
Leif ergueu casas grandes, passou um inverno e voltou com o navio cheio de madeira e uva. Anos depois, Thorfinn Karlsefni tentou ficar: uma saga fala em 60 homens e cinco mulheres; a outra, em 160 pessoas. Ali nasceu Snorri, filho dele com Gudrid, a primeira criança europeia nascida na América de que se tem registro.
A primeira menção escrita a Vinland é mais antiga que as sagas. O cronista alemão Adão de Bremen ouviu o rei Sueno II, da Dinamarca, falar da terra nova:
“Ele contou ainda de uma ilha descoberta por muitos naquele oceano, chamada Vinland, porque ali as videiras nascem sozinhas e dão ótimo vinho.” (Adão de Bremen, Feitos dos Bispos da Igreja de Hamburgo, c. 1075)
O anel de 993
As sagas não dão ano. Em 2013, a física japonesa Fusa Miyake, da Universidade de Nagoya, mostrou um salto de carbono-14 nos anéis de árvores do ano 993, atribuído hoje a uma tempestade de partículas vindas do sol.
Naquele ano, a atmosfera inteira ganhou carbono-14 extra, e toda árvore viva guardou o excesso no anel que crescia. O anel de 993 virou marca fixa, a mesma em carvalho da Europa, cedro do Japão e abeto da Terra Nova.
A equipe de Margot Kuitems e Michael Dee, da Universidade de Groningen, mediu anel por anel três pedaços de madeira de L'Anse aux Meadows, de três árvores diferentes, todos com corte de lâmina de metal. Os povos da região não usavam ferramenta de metal na época.
Achado o anel de 993, bastou contar até a casca. Nos três pedaços, o último anel crescido é de 1021, 471 anos antes da chegada de Colombo ao Caribe. O estudo saiu na revista Nature em outubro de 2021.
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