In partnership with

Civilizações Perdidas   Civilizações Perdidas
ED 157
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

Em 766, Nanzhao explicou a guerra à China numa estela

Junto ao lago Erhai, um reino de montanha venceu 2 exércitos Tang e gravou em pedra quem tinha começado a briga

Estela de pedra diante do lago Erhai e da serra de Cangshan

Lago Erhai, Yunnan, século VIII

▼

A LINHA DO TEMPO

c. 738, Piluoge une os seis reinos do Erhai → 751, Xianyu Zhongtong perde o primeiro exército → 754, Li Mi perde o segundo → 766, a estela sobe em Taihe → 794, o juramento de Cangshan refaz a aliança

A 1.970 metros de altitude, no oeste da província chinesa de Yunnan, o lago Erhai se estende por cerca de 40 quilômetros entre a serra de Cangshan e as colinas do leste. Da margem oeste, o pico Malong, com 4.122 metros, fecha o horizonte, e a entrada do vale corre pelas pontas norte e sul da água.

Nessa faixa plana, entre a montanha e o lago, ficava Taihe, a capital do reino de Nanzhao. Muralhas de terra batida desciam da serra até a margem e trancavam a cidade dos dois lados. Quem chegasse por terra tinha de passar por uma dessas portas, com a água de um lado e o paredão de rocha do outro.

Em 751, um exército da dinastia Tang, a casa imperial chinesa da época, chegou pela ponta sul do lago. Vinha sob Xianyu Zhongtong, governador militar da província de Jiannan, no atual Sichuan, com ordem de castigar um vassalo rebelde.

O rei de Nanzhao, Geluofeng, mandou enviados oferecer paz e devolver o território tomado no ano anterior. Xianyu prendeu os mensageiros e avançou. Na beira do Erhai, o exército imperial foi destroçado.

Três anos depois, a corte Tang mandou um segundo exército, sob o general Li Mi. Febre, fome e as tropas de Nanzhao desfizeram a coluna antes da capital. Li Mi se afogou num rio da região, e poucos soldados voltaram para casa.

Geluofeng ganhou as duas guerras. Doze anos depois da segunda, em 766, mandou erguer diante do palácio uma pedra mais alta do que dois homens, coberta de caracteres chineses e endereçada aos derrotados. O texto afirmava, em resumo, que o reino nunca quis brigar e que a culpa cabia aos generais do imperador.

A pedra continua de pé em Taihe. O Estrato desce às duas campanhas e mostra como um reino de montanha desmontou o exército mais rico da Ásia.

Continue lendo ↓

 
 
 

Quem banca a edição de hoje

Create work your clients can rely on

With Lovable, you'll have a working version of your client's site ready for the first meeting. Plus:

  • Launch on your client's own domain

  • Build sites that get found on Google

  • Catch bugs and errors with project monitoring

  • Run every client site on one plan

Discount of $5 applies to first month of any paid plan. You need to sign up via this webpage in order to claim the discount. The discount applies to new and returning users without an active paid plan. Terms apply.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

I  O Estrato

Dois exércitos no fundo do vale

A resposta de ontem

Em que ano Poverty Point virou Patrimônio Mundial?

Foi em 2014. Na reunião do Comitê do Patrimônio Mundial em Doha, no Catar, a UNESCO inscreveu os Monumentos de Terra de Poverty Point, primeiro bem da Louisiana na lista. A justificativa destacou a obra de terra erguida por caçadores, pescadores e coletores, sem lavoura.

Nanzhao nasceu de uma aliança com a própria China. Por volta de 738, Piluoge, chefe de um dos seis reinos da bacia do Erhai, unificou os vizinhos com apoio da corte Tang. Os povos locais chamavam cada rei de zhao (rei, na língua da região), e Nanzhao quer dizer reino do sul.

O imperador Xuanzong deu a Piluoge o título de príncipe de Yunnan. Em troca, o reino guardava a fronteira sudoeste contra o Tibete, a outra grande potência da região.

Em 748, Geluofeng, filho de Piluoge, herdou o trono. Dois anos depois, entrou em choque com Zhang Qiantuo, governador Tang da prefeitura de Yao. Zhang cobrava tributo abusivo e insultava a corte de Nanzhao; Geluofeng atacou a cidade de Yao, e o governador não sobreviveu ao ataque.

A campanha de 751

A corte respondeu com Xianyu Zhongtong. O Zizhi Tongjian (Espelho Abrangente para Ajudar o Governo), crônica compilada por Sima Guang e entregue ao imperador em 1084, registra 80 mil soldados na marcha e 60 mil perdidos na derrota junto ao rio Xi'er, a saída do lago.

Antes do combate, Geluofeng propôs devolver os prisioneiros e reconstruir a cidade de Yao. Avisou ainda que, sem acordo, buscaria proteção no Tibete. Xianyu recusou.

A ameaça se cumpriu. Em 752, o rei tibetano reconheceu Geluofeng como zanpuzhong, irmão mais novo do zanpu (título do soberano do Tibete), e Nanzhao trocou de lado.

A campanha de 754

Em Chang'an, a capital Tang, o chanceler Yang Guozhong escondeu da corte o tamanho da perda e mandou recrutar mais gente. Os recrutas seguiam acorrentados até os pontos de reunião, segundo o mesmo Zizhi Tongjian.

O poeta Bai Juyi guardou o medo dessas levas em 809, no poema O velho de Xinfeng do braço quebrado. O velho conta ter quebrado o próprio braço com uma pedra, aos 24 anos, para fugir da convocação para Yunnan: “Dizem que em Yunnan corre o rio Lu; quando caem as flores da pimenteira, sobe a névoa da febre.”

Li Mi entrou no vale com o segundo exército em 754. As tropas sofreram com malária, falta de comida e o calor úmido das planícies baixas. Nanzhao e os aliados tibetanos atacaram a coluna em retirada, e o general se afogou no rio.

Em quatro anos, Nanzhao desfez dois exércitos imperiais sem sair do próprio vale.

Os soldados Tang caídos foram enterrados perto da ponta sul do lago, na atual Xiaguan. A vala comum, conhecida como Túmulo dos Soldados de Tianbao (Tesouro Celeste, a era do reinado de Xuanzong), existe até hoje.

Em 755, o general An Lushan se rebelou no norte da China. A revolta durou até 763, e a corte Tang nunca mais mandou exército ao Erhai.

 

Quem banca a edição de hoje

Why Overseas Producers Can't Undercut Atlas Salt, Even for Free

Cities are already running short on road salt, and winter hasn't even started. Some supply bids are going unanswered, prices have nearly doubled in parts of the market, and the backup plan is two weeks away by boat. Here's why Atlas Salt (TSXV: SALT | OTCQX: SALQF) can get salt to the people who need it most, faster and cheaper than anyone shipping from overseas: 

• Three days by ship to Boston, not fourteen

• Shallow deposit that's cheaper and faster to mine

• Projected C$188M a year in free cash flow

• Export Development Canada interested in lending C$150M

• Early supply deal with top U.S. salt distributor

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

II  O Padrão

Escrever para o derrotado

A estela de Taihe é conhecida em chinês como Nanzhao Dehua Bei (Estela da Virtude Transformadora de Nanzhao). O texto original somava milhares de caracteres, dos quais a chuva e o vento deixaram algumas centenas legíveis.

Quem redigiu foi Zheng Hui, funcionário chinês capturado em 756, quando Nanzhao tomou a cidade de Xilu, no atual Sichuan. Geluofeng o pôs como tutor dos príncipes, e o prisioneiro acabou ministro do reino.

O texto é escrito em chinês clássico, a língua da corte inimiga. Conta a ascensão da casa real, lista as afrontas de Zhang Qiantuo, descreve as ofertas de paz recusadas por Xianyu e narra as duas vitórias.

A culpa gravada

A tese da pedra cabe numa linha: Nanzhao foi vassalo leal e só pegou em armas porque os governadores do imperador o empurraram. A estela poupa Xuanzong e acusa os homens mandados por ele.

A Nova História dos Tang, compilada por Ouyang Xiu e Song Qi e concluída em 1060, guarda a explicação do próprio Geluofeng ao mandar erguer a pedra: “Meus descendentes talvez voltem a servir aos Tang; então apontem esta estela aos enviados, para saberem: a minha rebelião não nasceu do meu coração.”

A estela foi escrita para um leitor futuro: o diplomata chinês da reconciliação.

Nanzhao tinha um motivo próprio para deixar a porta aberta. A aliança com o Tibete cobrava tributo pesado e soldados para as guerras tibetanas, e o reino sabia depender de um vizinho tão grande quanto o anterior.

O mesmo gesto em Đại Việt

Em 1427, Lê Lợi derrotou os exércitos da dinastia Ming no norte do atual Vietnã. Depois da vitória, deixou as tropas chinesas cercadas voltarem para casa com barcos e cavalos, e mandou enviados à corte Ming levando tributo.

No ano seguinte, o letrado Nguyễn Trãi redigiu a Bình Ngô đại cáo (Grande Proclamação da Pacificação dos Ming), também em chinês clássico, atribuindo a guerra aos abusos da ocupação.

Nos dois casos, o reino menor venceu no campo e pediu a paz por escrito, na língua do vencido. A batalha ganha não mudava o mapa: o império continuava do outro lado da serra, maior e mais populoso, e a geração seguinte ia precisar comerciar com ele.

A diferença está no suporte. Nguyễn Trãi escreveu num documento para circular; Geluofeng escolheu a pedra, plantada na própria capital, para esperar o leitor certo.

III  O Arquivo

A pedra cumpriu o recado

Em 779, o neto de Geluofeng, Yimouxun, subiu ao trono. Zheng Hui, o redator da estela, tinha sido tutor dele e o aconselhou a romper com o Tibete.

Em 794, enviados Tang e a corte de Nanzhao juraram aliança na serra de Cangshan, acima da capital. O pacto ficou conhecido como juramento de Cangshan, e cada corte guardou uma cópia.

Meses depois, Yimouxun atacou os tibetanos e cortou a ponte de ferro de Shenchuan, no alto rio Jinsha, a via de entrada das tropas tibetanas no vale.

Quarenta anos depois da segunda derrota Tang, o recado da pedra chegou ao destino.

Um reino trocado de dono

O redator também deixou herdeiros. Em 902, Zheng Maisi, descendente de Zheng Hui, tomou o poder em Taihe, encerrou a casa real de Nanzhao e fundou o reino de Dachanghe.

Vieram reinos curtos até 937, quando Duan Siping fundou o reino de Dali, no mesmo vale. Dali durou até 1253, ano da conquista mongol comandada por Kublai, neto de Gengis Khan.

Os mongóis fizeram de Yunnan uma província do império, e o vale do Erhai deixou de ter rei próprio. A família Duan seguiu como administradora local sob os novos senhores, e os descendentes governaram o vale em nome dos mongóis durante mais de cem anos.

A pedra na aldeia

Taihe virou ruína, e a muralha de terra se desfez em barrancos entre plantações. A estela ficou no lugar, exposta à chuva por doze séculos.

Em 1961, o governo chinês incluiu as ruínas de Taihe na primeira lista nacional de patrimônio protegido. A pedra fica sob um pavilhão, na aldeia de Taihe, entre a cidade velha de Dali e Xiaguan.

A face gasta mostra sulcos onde antes havia frases inteiras. Os estudiosos chineses reconstroem o texto por cópias feitas à mão em séculos anteriores, quando a superfície estava mais inteira. A versão aceita hoje junta essas cópias com o que ainda se lê na pedra, e as lacunas ficam marcadas, sem preenchimento inventado.

A 1.970 metros, entre o lago Erhai e a serra de Cangshan, a pedra de Geluofeng segue de pé em Taihe. Das letras gravadas para os enviados chineses sobram algumas centenas, e o juramento de 794 prova o recado lido.

 
 
Quiz da edição

Quem redigiu o texto gravado na estela de Taihe, erguida por Geluofeng em 766?

AO próprio rei Geluofeng, autor da pedra
BZheng Hui, funcionário chinês capturado por Nanzhao
CUm general tibetano que apoiou Nanzhao nas batalhas
DSima Guang, cronista do Zizhi Tongjian

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🗿🗿🗿🗿🗿  ótima 🗿🗿🗿🗿  boa 🗿🗿🗿  ok 🗿🗿  ruim 🗿  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 26/10, 15h30

A Pucará de Quilmes →
B Chan Chan →
C Shimao →
D Reino de Kanem →
 
 
Recomendação de Newsletter
Curiosidade do Dia

Curiosidade do Dia

Um assunto novo por dia e você nunca mais fica sem o que contar, em dois minutos. No seu email todo dia às 12:12.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆262728293031

Dia 2 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 6}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 

O passado fala. Sic transit gloria mundi.

CIVILIZAÇÕES PERDIDAS

Toda civilização já foi o futuro. Até deixar de ser

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo