A resposta de ontem Para qual obra foram as pedras da muralha do templo em 1836? Para a Lower Anicut, a barragem sobre o rio Kollidam projetada pelo engenheiro Arthur Cotton e erguida entre 1836 e 1840. As pedras da muralha externa do templo viraram represa, e a barragem ainda distribui água para os arrozais do delta do Kaveri. |
Quem sobrevoa o vale do Chao Phraya ainda enxerga o desenho dos assentamentos de Dvaravati. São ovais e retângulos de água parada, abertos na planície alagável, com uma cidade dentro e arrozais fora.
O fosso de Nakhon Pathom forma um oval de quase quatro quilômetros de comprimento. Outros centros repetem o molde: U Thong, na província de Suphan Buri; Khu Bua, em Ratchaburi; Si Thep, em Phetchabun, já nas bordas do planalto.
O fosso servia de muralha, de reservatório e de canal. Na estação das chuvas, a planície vira lâmina de água, e as cidades viviam ilhadas e ligadas por barco ao golfo da Tailândia.
Pelo golfo chegavam mercadores da Índia. Nas camadas de Dvaravati os arqueólogos acham contas de vidro e de cornalina, lâmpadas de bronze e selos com escrita indiana, e foi por essa rota que o budismo e o sânscrito entraram no vale.
As rodas da Lei
O objeto mais típico de Dvaravati é o dharmachakra, a roda da Lei, que representa o primeiro sermão de Buda. Os escultores mon talhavam rodas de pedra com mais de um metro de diâmetro e as erguiam no alto de pilares, na frente das estupas.
Algumas rodas trazem versos em páli, a língua dos textos do budismo theravada (a corrente budista que hoje domina a Tailândia). Os versos vêm do cânone budista e confirmam a escolha religiosa dessas cidades séculos antes de existir um reino tailandês.
Os mon escreveram a fé em páli muito antes de escrever o próprio nome.
As inscrições em língua mon falam de doações a mosteiros, de terras e de servos de templo. Nenhuma delas, até hoje, traz a lista de reis ou a data de fundação de uma capital.
O reino visto da China
Os cronistas chineses deram ao reino as primeiras datas. O relato de Xuanzang, terminado em 646, localiza Duoluobodi numa sequência de países ao sul da rota que ele percorreu:
“A sudeste fica o reino de Shilichadaluo; mais a sudeste, à beira do grande mar, o reino de Duoluobodi; mais a leste, o reino de Yishangnabuluo.” Xuanzang, Registros das Regiões Ocidentais da Grande Tang, 646. |
Shilichadaluo é a transcrição de Sriksetra, cidade do povo pyu na Birmânia. Yishangnabuluo é Isanapura, capital khmer no atual Camboja. Duoluobodi caía entre os dois, onde estão o vale do Chao Phraya e as cidades de fosso.
Os anais da dinastia Tang, escritos pela corte chinesa, registram embaixadas de Duoluobodi no século VII, com presentes de marfim e de ouro levados até a capital Chang’an.
Para a China, o reino existia como lugar de onde vinham embaixadores. O povo mon nunca leu esse nome, porque nunca se chamou assim.
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