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A primeira embaixada de Balhae ao Japão partiu em 727, com 24 homens sob o comando de Go In-ui. O vento empurrou o navio para o norte, até a região de Dewa, no litoral de Honshu. Os emishi, povo local fora do domínio da corte japonesa, atacaram o grupo. Oito sobreviventes chegaram à capital, Heijō-kyō.
Levavam uma carta do rei Mu e trezentas peles de zibelina. A corte japonesa recebeu os enviados com banquete e devolveu seda, linho e fios de algodão.
A rota
Os navios saíam de portos perto da atual Posyet, no litoral russo, e cruzavam o mar no outono, com o vento de noroeste. Chegavam ao litoral de Noto, Kaga ou Echizen. Voltavam na primavera, com o vento contrário.
A travessia levava semanas, e muitos navios se perderam. Os registros japoneses anotam desvios, naufrágios e enviados que esperaram meses na costa até a corte autorizar a viagem para a capital.
O caminho também servia ao Japão. A corte japonesa mandou cerca de treze missões a Balhae, e algumas usaram o reino como passagem para chegar à China Tang por terra, quando a rota marítima direta parecia arriscada demais.
O comércio na carta
As primeiras missões tinham objetivo militar: Balhae disputava fronteira com Silla e com os Tang. Depois de 762, as cartas mudaram de tom, e as missões viraram comércio.
As embaixadas cresceram. Em 771, uma frota de Balhae chegou ao Japão com 325 pessoas em 17 navios. A corte japonesa passou a reclamar do custo de hospedar tanta gente e, em 824, limitou as visitas a uma a cada doze anos. Balhae não respeitou o prazo.
A última embaixada registrada chegou em 919, chefiada por Bae Gu, que já tinha liderado outra em 908. Sete anos depois, o reino não existia mais, e os navios pararam de vir.
O Japão pagava a hospedagem e Balhae lucrava com a viagem.
Poemas no porto
A troca não ficou só nas peles. Em 814, o enviado Wang Hyo-ryeom trocou poemas em chinês com a corte de Saga, e versos dele entraram no Bunka shūreishū, antologia japonesa compilada em 818.
O padrão volta em toda relação desigual de longa distância: quem viaja leva a mercadoria e a versão da própria história, mas o registro fica com quem recebe. No Japão, cada visita virou linha de crônica. Em Balhae, ninguém guardou a cópia.
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