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Os cazares aparecem nas fontes por volta de 650, quando o grande império turco das estepes ocidentais se partiu. Um clã ficou com o norte do Cáucaso e com a curva baixa do Volga, entre o mar Negro e o Cáspio.
O reino nasceu em guerra. Por quase um século, os exércitos árabes e os cavaleiros cazares trocaram ataques pelas passagens do Cáucaso. Em 737, o general Marwan ibn Muhammad atravessou as montanhas, chegou ao Volga e obrigou o soberano cazar a aceitar o islã. A conversão não durou: o exército árabe voltou para o sul e o soberano voltou à fé antiga.
Com Bizâncio, a relação foi de aliança. O imperador Constantino V casou com uma princesa cazar, batizada Irene, e o filho dos dois governou Constantinopla de 775 a 780 com o apelido de Leão, o Cazar.
O rei Bulan e os três sábios
A versão cazar da conversão está na carta do rei José. Ele conta que um antepassado, o rei Bulan, chamou à corte um sacerdote cristão, um sábio muçulmano e um rabino, e mandou cada um defender a própria fé.
Depois do debate, Bulan perguntou ao cristão qual era a melhor entre as outras duas, e o cristão escolheu a lei dos judeus. Fez a mesma pergunta ao muçulmano, e a resposta foi igual.
Os dois rivais apontaram a mesma fé como a segunda melhor, e Bulan ficou com ela.
José acrescenta um segundo passo. Um rei posterior, Obadias, trouxe sábios judeus de fora, abriu sinagogas e escolas e organizou o culto pela Bíblia, pela Mishná e pelo Talmude.
Moisés na moeda
A data da conversão é discutida. Uma pista veio do chão em 1999: no tesouro de Spillings, na ilha sueca de Gotland, apareceram moedas de prata cunhadas pelos cazares por volta de 838, com a inscrição em árabe “Moisés é o mensageiro de Deus”.
A frase copia a fórmula das moedas islâmicas e troca o nome do profeta. Para os numismatas, é o sinal mais antigo de uma corte cazar judaica.
O reino tinha dois soberanos. O kagan, figura sagrada, quase não aparecia em público. O governo diário cabia a um segundo rei, chamado bek pelos árabes, que comandava o exército e cobrava os impostos.
A fé nova ficou no alto. O viajante árabe Ibn Fadlan, que passou pelo Volga em 922, e os geógrafos do século X descrevem uma Atil com maioria de muçulmanos e pagãos, sob uma corte judaica.
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