A resposta de ontem Onde está o guerreiro original de Tula trocado por réplica? Está no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, na sala dedicada aos toltecas. O INAH levou o atlante para a capital depois da remontagem de Jorge Acosta, e no topo da Pirâmide B ficou uma cópia em concreto ao lado dos três originais de basalto. |
Palau é feito de ilhas de calcário erguidas do fundo do mar, cheias de cavernas e paredões. Foi nelas, e nas encostas de Babeldaob, a ilha maior, que os yapeses abriram as pedreiras, sempre com permissão dos chefes palauanos, a quem pagavam em contas, cocos e trabalho.
O arqueólogo norte-americano Scott Fitzpatrick estudou essas pedreiras a partir dos anos 1990. Nas cavernas de Palau, ele encontrou discos inacabados, peças partidas no meio do corte e restos dos acampamentos onde os cortadores dormiam e comiam.
As datações dele apontam para alguns séculos de uso antes de qualquer europeu chegar. A data exata da primeira travessia segue desconhecida, porque a madeira das canoas e das jangadas não sobreviveu, e o que resta são as marcas na rocha.
Nem todo disco era gigante. Os rai vão de peças que cabem na palma da mão até os de Rumung, e os pequenos circulavam em trocas modestas, como o pagamento de um serviço ou de uma canoa emprestada.
O furo no centro
O corte era lento. Antes do ferro, os yapeses trabalhavam com lâminas feitas da concha da tridacna (o molusco gigante dos recifes do Pacífico) e com martelos de pedra mais dura, raspando o calcário até chegar ao disco.
O furo no meio tinha função prática. Por ele passava um tronco grosso, e os homens erguiam a pedra nos ombros, dos dois lados, para levá-la da pedreira até a praia.
No mar, os discos pequenos iam dentro das canoas. Os grandes seguiam numa jangada de bambu rebocada, e a viagem de volta, guiada pelas estrelas e pelas ondas, levava dias sobre água sem abrigo.
Cada pedra trazia escrita no próprio corpo a conta da viagem: o tamanho, a forma e as vidas que custou.
A pedra que afundou
O americano William Henry Furness III, que viveu em Yap e publicou The Island of Stone Money (A ilha do dinheiro de pedra) em 1910, registrou o caso mais estranho. Uma família da ilha era tida como rica por uma pedra que ninguém via.
Um antepassado tinha trazido de Palau um disco enorme, mas a jangada se soltou numa tempestade, e a pedra afundou perto da costa. Os tripulantes juraram que ela era grande e bem talhada, e a aldeia aceitou a palavra deles.
Assim, gerações depois, a pedra no fundo do mar seguia valendo e trocando de dono. Ninguém precisava tocá-la, porque o que dava valor ao rai era a história conhecida por todos, e a história tinha sobrevivido ao naufrágio.
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