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As esferas do Diquís entram numa lista longa: monumentos maciços que a imaginação encheu de riqueza e que alguém abriu à força para conferir.
No Egito, o califa abássida Al-Mamun mandou escavar um túnel na Grande Pirâmide de Gizé em 820, atrás do tesouro do faraó. Os trabalhadores acharam câmaras vazias, e o túnel aberto por eles ainda serve de entrada aos turistas.
Em 1837, o coronel britânico Richard William Howard Vyse usou pólvora nas pirâmides de Gizé para procurar câmaras escondidas. Uma das explosões abriu um rombo na face sul da Grande Pirâmide.
Na Índia, em 1822, um oficial britânico abriu um buraco no alto da Grande Estupa de Sanchi, monumento budista maciço de tijolo e pedra, esperando achar relíquias e joias. A ferida só foi reparada pelo Archaeological Survey of India (o órgão de arqueologia do governo indiano) no começo do século XX.
O molde do tesouro imaginado
Os quatro casos seguem o mesmo roteiro:
1. O objeto é grande, antigo e não tem porta visível.
2. Uma história local ou letrada põe riqueza lá dentro.
3. Quem chega tem ferramenta para romper, como fogo, pólvora ou dinamite, e nenhuma obrigação de registrar o que acha.
4. O interior está vazio de ouro, e o dano fica.
O Diquís junta um agravante. Uma pirâmide tem câmaras; uma estupa, às vezes, guarda relíquias. A esfera de gabro não tinha onde esconder nada, e mesmo assim foi aberta.
A dinamite apagou a única informação guardada nas esferas: o lugar onde cada uma estava.
O dano maior foi a mudança de endereço
A explosão quebrou pedras, mas a perda maior veio depois. Com o bananal instalado, as esferas atrapalhavam o arado e viraram enfeite. Fazendeiros, gerentes da companhia e políticos levaram dezenas para jardins de San José e de outras cidades.
Uma esfera arrancada do monte perde a posição, a orientação e a camada de terra que a datava. Os alinhamentos vistos pelos primeiros visitantes nos anos 1940 sumiram quase todos; hoje só se pode estudá-los nos desenhos e nas fotos da época.
Algumas esferas foram parar em escolas, praças e prédios do governo, longe de qualquer contexto. Na capital, viraram objeto de decoração de entrada, polidas e sem placa.
O caso do Diquís é mais barato de reparar do que o das pirâmides. A pedra quebrada não volta, mas a esfera inteira levada para um jardim pode voltar ao delta, e o terreno de onde ela saiu ainda guarda a cerâmica e os pisos que permitem datá-la.
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