A resposta de ontem Que objeto avisava o alafin de Oyo da rejeição? Uma cabaça vazia ou, em outras versões, uma tampa de cabaça com ovos de papagaio. Samuel Johnson registra em The History of the Yorubas, de 1921, que o objeto dizia ao rei que o povo, a terra e os deuses o rejeitavam, e o alafin que o recebia tinha de tirar a própria vida. |
A data exata veio dos anéis da madeira. O dendrocronologista polonês Tomasz Ważny, nos anos 1990, aplicou às vigas de Biskupin a dendrocronologia (contagem dos anéis anuais de crescimento das árvores) e achou o mesmo último anel em centenas de peças: a derrubada aconteceu no inverno de 738 para 737 a.C.
Madeira cortada na mesma estação indica obra feita de uma vez. Os lusacianos não foram somando cabanas ao longo de décadas: levantaram muralha, ruas e casas num só canteiro.
A muralha contornava a península inteira. Era feita de caixas de troncos de carvalho encaixados, cheias de terra e areia e revestidas de barro do lado de fora, o que dificultava o fogo de um ataque.
Do lado da água ficava o quebra-mar visto por Szwajcer. As estacas inclinadas quebravam as ondas e, no inverno, seguravam as placas de gelo do lago longe da base da muralha.
Havia um portão só, com torre de madeira, ligado à margem por uma ponte de troncos. Quem entrava caía numa rua circular que corria rente à muralha por dentro.
As ruas de troncos
Da rua circular saíam ruas paralelas, todas no mesmo sentido. O piso era de troncos deitados lado a lado sobre uma camada de areia, uma calçada de madeira que impedia a lama de engolir o pé.
As casas ficavam em fileiras geminadas, parede com parede, e todas com a porta voltada para o sul, rumo ao sol de inverno. Cada uma tinha uma antessala, usada como depósito e oficina, e um cômodo principal com lareira de pedra no centro.
O teto era de junco e as paredes, de troncos horizontais presos em postes verticais. Uma família dormia, cozinhava e guardava o grão no mesmo espaço, em volta do fogo.
Cada casa tinha a mesma planta, a mesma orientação e a mesma lareira: alguém desenhou a cidade antes do primeiro carvalho cair.
Quem mandava na obra
A planta repetida levou Kostrzewski a ver um poder central por trás da cidadela, capaz de juntar mão de obra e dividir o terreno em lotes iguais. Ele descreveu a escavação no livro Gród prasłowiański w Biskupinie (A fortaleza protoeslava de Biskupin), de 1938.
O livro não nomeia esse chefe, porque nenhuma inscrição ou túmulo de Biskupin aponta um. O que a escavação mostra é a ausência de casa maior que as outras: se havia um líder, ele morava numa casa igual à do vizinho.
A escolha do carvalho também tinha motivo. A madeira resiste à umidade e ao apodrecimento muito melhor que o pinho da região, e uma cidade erguida na beira de um lago precisava de vigas que aguentassem o pé na água.
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