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A escrita foi sumindo junto com o reino. No século VII, os exércitos árabes tomaram a planície do Kura, e a Albânia virou província do califado. A igreja albana, cada vez mais presa à armênia, adotou o armênio nas missas.
Sem livro novo, as letras perderam uso. A elite das cidades aprendeu o persa e, séculos depois, as línguas turcas que chegaram com os seljúcidas. Nas montanhas, o idioma antigo se partiu em falas locais.
Uma delas sobreviveu inteira na aldeia de Nij e em Oktomberi, na Geórgia, para onde parte dos udis migrou no século XX. Os udis seguiram cristãos num país de maioria muçulmana, e a igreja os manteve juntos.
No fim do século XIX, um padre udi de Vartashen, Semyon Bezhanov, com o irmão Mikhail, traduziu os quatro Evangelhos para o udi em letras cirílicas, publicados em Tbilisi em 1902. Ninguém sabia, na época, que a mesma língua tinha alfabeto próprio guardado num pergaminho do Sinai.
A lista sem som
O alfabeto sobreviveu numa única página. No século XV, um copista armênio anotou num manuscrito miscelâneo os alfabetos de vários povos, entre eles o albano, com as 52 letras e o nome de cada uma.
O códice fica no Matenadaran, o instituto de manuscritos antigos de Erevan, na Armênia. Em 1937, o filólogo georgiano Ilia Abuladze encontrou a página e publicou o alfabeto no ano seguinte.
A lista resolvia o desenho. Faltavam o valor sonoro exato e, sobretudo, um texto longo para testar as hipóteses. As inscrições de Mingachevir chegaram dez anos depois e não bastaram.
Saber o desenho da letra não basta para ler uma língua.
O padrão
Na Albânia Caucasiana, a escrita dependia da igreja que a sustentava. Quando a missa mudou de idioma, o alfabeto perdeu sua única função, e os copistas pararam de produzir livros nele.
Livro sem leitor vira matéria-prima. Pergaminho era caro, feito de pele de carneiro ou de cabra, e um códice que ninguém lia valia mais raspado do que guardado.
O gótico seguiu o mesmo caminho. O alfabeto que o bispo Úlfilas criou no século IV para traduzir a Bíblia aos godos sobreviveu sobretudo num códice de luxo, o Codex Argenteus, hoje na Universidade de Uppsala, na Suécia, depois que os godos sumiram como povo.
Escrita feita para uma igreja some quando a igreja troca de língua. Volta, quando volta, pelo que outro povo guardou.
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