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A equipe da Universitat Autònoma de Barcelona datou os dois esqueletos por radiocarbono, o método que mede o carbono instável dos ossos para estimar há quanto tempo a pessoa viveu. As datas caíram perto de 1650 a.C. para os dois, com o homem sepultado um pouco antes. A defasagem indica que o jarro foi aberto e fechado de novo para receber a mulher.
A análise de DNA publicada pela equipe revelou que os dois não eram parentes de sangue. Revelou também que tiveram uma filha juntos: uma criança pequena sepultada num prédio vizinho carregava o material genético dos dois. O casal era, portanto, um par com descendência, e não irmãos nem pai e filha.
O esqueleto do homem mostra desgaste de esforço físico repetido e marcas de ferimentos cicatrizados, compatíveis com trabalho pesado ou com combate. O da mulher mostra desgaste bem menor. Os objetos seguem a mesma diferença: ela com prata na cabeça, nos pulsos e nas orelhas, ele com cobre e quase nenhum adorno.
O estudo publicado por Vicente Lull e colegas na revista Antiquity em 2021 calculou o valor da prata do jarro em cerca de 938 dias de trabalho, convertendo o peso do metal pelo preço dos cereais e salários da época, como estimado pelos próprios autores. Uma fortuna dessas enterrada debaixo da sala de reunião não passa despercebida por quem se senta nos bancos.
O diadema é o único objeto argárico reservado a um só sexo e à camada mais alta: onde ele aparece, marca uma mulher que ocupava posição que nenhum homem da mesma sepultura alcançou.
A leitura da equipe de Barcelona é política. Para Lull e Micó, a mulher de La Almoloya pode ter sido uma governante ou integrante do grupo dirigente, e o diadema seria insígnia de autoridade, não enfeite. A posição do jarro, sob o próprio salão onde as decisões eram tomadas, reforça essa hipótese.
Outros arqueólogos leem o mesmo achado de outro modo. A prata poderia marcar a família e não o cargo, ou um papel religioso, ou uma mulher usada como vitrine da riqueza de um clã comandado por homens. As sepulturas masculinas ricas trazem espadas e alabardas (lâminas de cobre montadas em cabo longo, como machado de guerra), o que sugere que a força armada ficava com eles.
A dúvida continua sem resposta porque os argáricos não deixaram escrita. Toda afirmação sobre o cargo dessa mulher vem de cova, osso e metal, e esses três dizem posição e riqueza, mas não dizem título. O que se pode afirmar é que ela tinha o objeto mais raro da cultura e foi enterrada sob a sala do poder.
O Espelho: o sinal de status nem sempre mostra quem decide. Vale olhar, na empresa ou na família, quem usa o símbolo e quem de fato define o rumo, porque as duas pessoas às vezes são diferentes.
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