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Na última noite de 406, segundo a tradição das crônicas, um grupo de povos atravessou o Reno perto de Mogúncia, a atual Mainz, na Alemanha. Vinham vândalos, alanos e suevos, estes saídos das terras entre o Danúbio e o Elba.
Os grupos saquearam a Gália por quase três anos e, em 409, passaram os Pireneus. Em 411, segundo Idácio, bispo de Aquae Flaviae (a atual Chaves, em Portugal), os invasores dividiram a Hispânia por sorteio, e a Galécia coube aos suevos e a uma parte dos vândalos.
Do sorteio ao reino
O primeiro rei suevo conhecido na península foi Hermerico, que governou a partir de Braga por cerca de três décadas. Os vândalos seguiram para o sul e, em 429, cruzaram para a África, deixando a Galécia só para os suevos.
O filho de Hermerico, Réquila, levou o reino para fora do noroeste. Em 439 tomou Mérida, capital da Hispânia romana, e em 441 entrou em Sevilha. Por alguns anos, os suevos mandaram em quase toda a metade ocidental da península.
Requiário herdou esse reino em 448. Era filho de Réquila e trouxe duas novidades: era católico, quando quase todos os reis germânicos seguiam o arianismo (a doutrina de Ário, que negava a Cristo a mesma natureza do Pai), e casou com uma filha de Teodorico I, rei dos visigodos.
Requiário pôs o próprio título na prata enquanto o imperador ainda aparecia na outra face.
A assinatura no verso
A síliqua de Braga mostra um rei que queria as duas autoridades ao mesmo tempo. O rosto de Honório garantia que a moeda seria aceita por quem conhecia o padrão romano. A frase no verso avisava quem tinha mandado cunhar.
Honório já estava enterrado havia mais de duas décadas quando a moeda saiu, e os cunhadores copiaram o retrato de peças antigas. O detalhe mostra que a imagem servia de marca de confiança, sem relação com o governante do dia.
Requiário usou o poder que a prata anunciava. Saqueou a região de Saragoça e a Tarraconense, no nordeste, terras que Roma ainda controlava. Em 455, com o Império do Ocidente em crise, os visigodos de Teodorico II, cunhado dele, receberam de Roma a tarefa de contê-lo.
Em 5 de outubro de 456, os dois exércitos se enfrentaram junto ao rio Órbigo, perto de Astorga. Os suevos perderam. Requiário fugiu para o litoral, foi capturado em Portucale, a atual cidade do Porto, e executado em dezembro daquele ano.
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