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O Halil Rud nasce nas montanhas do Jebal Barez, atravessa a planície de Jiroft, na província de Kerman, e termina numa depressão salgada chamada Jazmurian. É água corrente num canto seco do planalto iraniano.
A planície é hoje um cinturão de tâmara e cítrico, com colheita farta num país de deserto. Cinco mil anos atrás, a mesma combinação de água e sol sustentava uma cadeia de povoados alinhados ao longo do rio.
O levantamento feito depois de 2003 mapeou centenas de sítios num trecho de algo em torno de 400 quilômetros do vale. Não era uma aldeia isolada perdida no meio do nada, era uma paisagem inteira ocupada.
A escavação oficial começou em janeiro de 2003, sob Yousef Madjidzadeh, com Jean Perrot e Holly Pittman na equipe, a poucos quilômetros do cemitério que tinha sido esvaziado.
Dois montículos concentraram o trabalho: Konar Sandal Norte e Konar Sandal Sul, separados por cerca de quatro quilômetros de terra plana, os dois às margens do rio.
O montículo sul guarda uma plataforma de tijolo cru de cerca de 21 metros de altura, cercada por muralha, descrita pelos escavadores como uma cidadela de dois pavimentos. O tijolo saiu do barro do próprio rio.
A datação principal cai no terceiro milênio antes de Cristo, com níveis mais antigos embaixo. É o mesmo intervalo em que Ur e Susa erguem seus grandes templos, a mais de mil quilômetros dali.
A assinatura da região é a clorita. Pedra verde-escura, macia o bastante para ser entalhada com lâmina de cobre, extraída nas montanhas de Kerman e trabalhada em oficina dentro do próprio vale.
O repertório é fixo e reconhecível: escorpião, serpente entrelaçada, touro corcunda, felino, palmeira, fachada de edifício e uma figura de ave com braço de gente. Aparece em vaso, peso, tabuleiro de jogo e recipiente com alça.
Esses objetos não ficavam em casa. Peças do mesmo estilo estão em túmulos de Ur, em templos de Nippur e Mari, em Susa, na ilha de Tarute, no Golfo, e chegam até o mundo do Indo.
A pergunta que a arqueologia carregava desde os anos 1970 era simples: onde ficava a oficina que abastecia meio Oriente Médio. O vale do Halil Rud respondeu pelo avesso, com a resposta chegando pelo mercado antes de chegar pela trincheira.
Até 2001, o melhor candidato era Tepe Yahya, sítio do mesmo planalto de Kerman escavado por Clifford Lamberg-Karlovsky entre 1967 e 1975, onde apareceram vasos inacabados e blocos de clorita bruta.
O volume de material do Halil Rud mudou a escala da pergunta. Tepe Yahya passa a ser um ponto de uma rede maior, e o centro de produção passa a ser procurado no vale que a cheia abriu.
Em 2006, a escavação tirou do chão de Konar Sandal Sul um tijolo com sinais inscritos, e outros documentos com uma escrita geométrica apareceram em seguida. Ninguém lê nenhum deles até hoje.
O corpo de texto é pequeno demais para decifração: dois ou três documentos, sem versão bilíngue, sem repetição suficiente. Existe discussão sobre parentesco com o elamita linear, e ela segue aberta.
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